O AUTOR
Jaral começou a desenhar desde que se entende por gente, rabiscando paredes e livros, para desespero de seus pais. Já na adolescência, sentia-se frustrado por não conseguir desenhar o que mais gostava: cartuns. Durante o tempo em que viveu em São Paulo, impôs a si mesmo o objetivo de criar seus próprios personagens e desenhar histórias em quadrinhos. A inspiração veio olhando à sua própria volta, para si mesmo e seus amigos, onde havia tantas palhaçadas e histórias que a própria experiência tornou-se uma fonte inesgotável de piadas. Aos poucos foram surgindo os primeiros personagens, que, com o tempo, amadureceram e tornaram-se cada vez mais complexos. São Paulo também trouxe contrastes culturais interessantes e o fato de sempre se sentir um caipira perdido na grande cidade foi um fator decisivo para a personalidade de seus personagens. De São Paulo para Recife, onde morou durante um tempo, este fator mostrou-se válido novamente. Agora sentia-se deslocado não por ser do interior, mas de uma região diferente. Nesta época, percebeu o quanto sua linguagem e vocabulário era diferente dos demais, fator também decisivo para integrar a personalidade d'Os Tranquêra. Trocando as praias pernambucanas pelas montanhas mineiras, mudou-se para Belo Horizonte, onde, talvez por haver menos contrastes entre interior e capital, sentiu-se menos deslocado, embora o estilo de vida das grandes cidades ainda o incomode. A nostalgia de um barzinho beira-chão, daqueles que têm uma mesa de bilhar toda empenada, das risadas e dos papos malucos que rolam numa mesa de bar, do sonho de montar uma banda e fazer o som que gosta, dos dias ociosos onde se podia botar uma mochila nas costas e sair rumo às montanhas, daquelas tardes vazias de domingo vistas de um banco de praça, tudo isto constitui o motor que move o universo do qual Os Tranquêra fazem parte, com o qual muita gente deve se identificar.
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